Bom, não é mais novidade para ninguém, que gay é motivo de festa e confete. Já percebemos em outras edições, que a temática homossexual deu o que falar nos realities da vida. Agora nos deparamos com a situação em que, o estereótipo de “pobre, fragilizado e minoria” não cola mais (leia-se Cida, Mara e empregas domésticas da vida). No começo todo mundo fica comovido, mas depois começam a se perguntar: “O que fulano tá fazendo ali?”
É perceptível que o “personagem” escolhido para esta edição, o do Gay, fashionista, moderninho e influente, tem dado o que falar. Já em contra ponto, colocaram também um artista da noite gay de São Paulo, que tem um histórico de sucesso, porém conseguido a muito custo. Dimmy Kieer, o personagem, hoje é referência na noite paulistana, depois de muito tempo de suor e de gongação. Não é uma apenas mais um instant celebrity, surgida dos emaranhados da web 2.0. É um personagem de fibra, teatral e caricato, que impressiona pelo carão, pela performance, pelo jeito simplista, porém rebuscado, e pela irreverencia. Não apenas por cliques, coments, replies e follows.
Fabricar uma celebridade na net hoje em dia é muito mais fácil do que fazer alguém de corpo e mente. Ali,
você é alguém envolto na proteção e conforto do seu desktop, sem nenhum perigo, sem riscos. Já na noite, nas baladas e casas da vida, festas de aniversário, despedidas de solteiro, de happy hours á enterros, é algo um tanto mais complicado. Ali, ou você cativa o público pelo seu poder de entreter, de persuadir, ou você acaba saindo as pressas do palco, sob vaias e xingamentos, muito ao contrário da típica celebrity star que surge do mundo dos cliques, onde a mídia negativa é repudiada na base do “unfollow”. Onde quem pensa diferente do cyber-séquito, é punido com uma chuva de agressões verbais.
É de se fazer pensar realmente se é esta a visão de homossexual que queremos que o mundo tenha. É esta a presença de espírito e estado que devemos levar á baila da Sociedade? Precisamos ser assim tão chulos e reles para conseguir conquistar nosso espaço? Não temos características predominantes que falem por nossos atos, a tal ponto que sejamos admirados? Sim, admiração as vezes basta para simples mortais. Não necessitamos da Glória!
Não sou contra nada, nem ninguém. Mas sou a favor sim, do sucesso digno e merecido. Aquele conquistado a muito custo, e não ganho com base em troca de favores, barganha e RT’s e #FF.
Não tenho opinião formada a despeito do Sr. Sérgio, ou Orgastic_Desire para os íntimos (leia-se intimidade virtual, sim, hoje em dia, quem lhe segue no Twitter é tão mais particular a você e a sua vida, que muitas pessoas do seu âmbito social), até porque não conheço-o pessoalmente, nem tampouco sigo sua trajetória.
A minha opinião, limita-se a compreender que, alguém que simplesmente surge da noite para o dia no mundo da fama, não tem base ou “tempo de casa”, ou “registro em carteira” para poder levantar uma bandeira tão grande quanto a bandeira mítica da luta contra o preconceito. Quanto mais formação histórico social para debater mitos e tabus.
Certo, estamos em um mundo onde vivemos o preconceito, vivenciamos a hipocrisia, esbarramos no falso moralismo. Ok, ok, ok. Mas por outro lado, temos de assimilar qual a forma com que nos deixamos ser vistos pelos olhos dos outros. Não do inimigo, mas do contrário, do que pensa diferente.
Se coubesse a mim, e se fosse uma questão de escolha, não teria jamais elegido o Sr. Orgastic para representar-me perante a Sr.ª Sociedade, até mesmo porque, como pude notar no vídeo de apresentação do BBB, observei um comentário que explicitou muito da personalidade desta pessoa. “Sou o que sou, e fodam-se os que não gostarem de mim.”
Refletindo a respeito, acredito ter notado algo amplamente egoísta, para não falar em deslumbramento. Trazendo a situação mais a baila da realidade, é perceptível que não estamos em um mundo onde podemos dizer foda-se em todos os momentos. Não existe aquele ou este que não precise ou dependa disto ou daquilo. Não podemos ser tão antiéticos e extremos individualistas, a ponto de acreditar que nos bastaremos de nós mesmos. Penso assim, no cúmulo da pretensão. É por demais pretenciosismo, acreditar que se é tão auto-suficiente que não precise de ninguém, ou que possa dispensar a opinião alheia e controversa aquilo que rotulamos como contrário ao que mostramos ser.
Temos de trabalhar sim com as diferenças, e relevar sim as divergências de opinião. A construção da moralidade se dá a partir da análise de fatores divergentes. Como então, embasar uma vivência em uma opinião tão rebelde?
Será que estamos diante de uma nação de pessoas pretenciosas e tachistas? Ou devemos continuar com a bandeira de “Gays são do bem” , “Gays são bons”, “Gays são legais”?
Para comentar ainda, é bastante peculiar alguém se bastar de si, quando percebo apenas alguém querendo mais nada do que atenção. 2 piercings, cabelo acompanhando a moda, trajes fashionísticos… bom Sr. Orgastic_Desire, acho que você não dita tantas tendências assim… Isto já era moda, antes de você ser POP.
Ainda sobre BBB, digo que estou notando um clichê mais batido do que reeleição presidencial. Daqui a pouco não teremos de lutar contra a discriminação. Os fantasmas que caçaremos serão os do sarcasmo. Teremos de aceitar piadas e chacotas do tipo “o gay virou a casaca”, “a biba prendeu a franga”. Já é perceptível o desfecho que seguirá o personagem Orgastic_Desire. Terá um romance com a Srt.ª Tessália Aliastes (aqui, nota-se o repetéco, porque ‘edredons’ sempre vem a calhar…), e contrariará todo e qualquer empenho, de qualquer campanha pró homossexualismo, que se tenha notícia até então.
Sim, o populismo alcança as massas e dissemina opiniões tão rápido, quanto a fome assola as minorias desfavorecidas e flagelados. Em outro aspecto, não podemos então minar e segmentar a santa “opinião individualista e egocêntrica do Sr. Orgastic”. Claro, vivemos em uma nação livre… verdade?
Penso apenas, que quando se está em um programa de tamanha audiência e repercussão, não pode-se pensar apenas no “eu” individual, mas também no “eu” público, em quem se está mostrando do outro lado do muro. Deveria ele, ao menos relevar e velar pelo título que carrega, e que ostenta. Antes de ser uma figurinha carimbada e reconhecida, acho que Orgastic_Desire foi incluído no hall de participantes do BBB, fundamentalmente por ser Gay. Ou alguém duvida? Já, que este é perfil que anda tão em alta, e é tão bajulado.
Mas sarcástico ainda, é o fato de a direção de um reality como o Big Brother, incluir um Gay, uma Dragg Queen, e uma lésbica, em um programa exibido em horário nobre, e (“supomos”, sem combinação alguma, pois partimos do princípio de que nada é planejado…) continua vetando a figura do gay em suas tramas. Ou será que já esquecemos da polêmica do beijo gay da novela América?
Bom, então aproveito para planejar e para comentar meu voto. Voto contra a pretensão, contra a falta de personalidade, contra a futilidade, contra as instant celebrities, contra o falso homossexualismo, e também a falta de originalidade! Estes são meus indicados ao paredão, e vou aguardar até vê-los eliminados.
Léo Ferreira